Problemas emocionais / comportamentais
QUANDO E PORQUÊ PODEM SURGIR OS PROBLEMAS EMOCIONAIS OU COMPORTAMENTAIS?
A resposta não é simples. Sabemos que os problemas não surgem do nada, mas as causas podem ser inúmeras e quase nunca há uma relação directa entre um determinado factor ou situação e uma perturbação ou desordem emocional.


Um factor de risco pode ser definido como qualquer condição ou circunstância que aumenta a probabilidade de uma perturbação. Os factores de risco na infância para o comportamento criminal adulto incluem: comportamentos agressivos persistentes, baixo nível intelectual, maus-tratos por parte das figuras parentais e pais com actividades criminosas ou problemas psiquiátricos.


Os factores de risco podem ser:


 -  Genéticos (ex.:existência de esquizofrenia num dos pais);
 -  Familiares (ex.:mau ambiente familiar em casa);
 -  Sócio-económicos (ex.: pobreza e todos os factores associados);
 - Culturais (vivência ou exposição frequente a uma sub-cultura, em que proliferam comportamentos delinquentes);
  - Desenvolvimentais (rejeição pelos pares; ansiedade da separação).


De facto, muitas crianças sujeitas a factores de risco, não desenvolvem qualquer tipo de problema. No entanto, quando há vários factores presentes em simultâneo, a consequência é mais previsível. Por exemplo, a previsibilidade de um comportamento criminal na idade adulta é de cerca de 75% quando, aos 8 anos, a criança apresenta pelo menos três factores de risco.


Os diferentes modos como os factores de risco se combinam para levar a problemas psicológicos são complexos não havendo, ainda, forma de saber que factores ou combinação de factores levam a uma perturbação ou desordem específica.

A mesma perturbação pode resultar de diferentes combinações de factores.


Os problemas também se expressam de formas diversas em diferentes fases de desenvolvimento.


Existem também os factores protectores, que são características, condições ou circunstâncias, que promovem ou mantêm um desenvolvimento saudável e que actuam no sentido de diminuir ou anular, os efeitos dos factores de risco. Assim, no que refere ao exemplo dado acima, sobre a probabilidade de um comportamento criminal adulto ser de 75%, pode afirmar-se que a mesma desce para cerca de 25% quando existe um factor protector, como a presença de um progenitor ou figura parental carinhosa.


É sempre necessário levar em consideração o contexto total do desenvolvimento quando se considera a hipótese de a criança estar a desenvolver um problema específico.

Se a situação / problema se prolonga, é importante intervir.



Ana Mafalda Ferreira– Psicóloga
Erica Mira– Psicóloga
Joana Faria– Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação

 
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